Um simples exame de sangue começa a transformar a forma como médicos investigam o Alzheimer. A tecnologia mede proteínas ligadas às alterações no cérebro, como a tau e a beta-amiloide, que funcionam como sinais biológicos da doença.

A grande vantagem é a praticidade: em vez de procedimentos invasivos, como punção lombar ou exames de imagem especializados, basta uma coleta de sangue. Isso torna a investigação menos desconfortável e potencialmente mais acessível.

Nos Estados Unidos, a FDA autorizou em 2025 o primeiro teste de sangue para auxiliar no diagnóstico. Chamado Lumipulse G pTau217/β-Amyloid 1-42 Plasma Ratio, ele avalia a relação entre duas proteínas para estimar a presença de placas de beta-amiloide no cérebro. Porém, o uso é restrito a adultos com sintomas de comprometimento cognitivo e deve ser interpretado junto com outros exames e histórico clínico.

No Brasil, a Anvisa regula os testes laboratoriais, mas a oferta em laboratórios privados não significa aprovação automática para diagnóstico definitivo. Além disso, o custo ainda é elevado: entre R$ 2.700 e R$ 3.600, sem garantia de cobertura pelos planos de saúde.

Apesar das limitações, os biomarcadores sanguíneos ganham relevância porque novos medicamentos podem retardar a progressão da doença. Confirmar alterações relacionadas à beta-amiloide é essencial para definir o tratamento adequado.

O alerta dos especialistas é claro: o exame não deve ser feito por curiosidade. Ele deve ser solicitado e interpretado por profissionais de saúde, dentro do contexto clínico do paciente.